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Urucum e abelha jataí estão entre espécies-chave para restauração da Amazônia, propõe estudo

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 22 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Foto: Mauricio Mercadante / Flickr

urucum e abelha
Entre as plantas selecionadas para a nova metodologia de restauração, estão o estão o urucum (Bixa orellana)

















Uma pesquisa brasileira identificou dez espécies de abelhas e dez espécies de plantas capazes de formar redes de interação ecológica que promovem a restauração inicial de áreas degradadas na Amazônia Oriental. Publicado na revista “Restoration Ecology” na quarta (20), o estudo foi conduzido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), o Museu Paraense Emílio Goeldi e as universidades federais do Pará (UFPA) e de Minas Gerais (UFMG), e propõe uma abordagem inovadora para integrar plantas e polinizadores nos esforços de restauração ambiental.


Entre as plantas selecionadas estão o urucum (Bixa orellana), o muricí-da-praia (Byrsonima stipulacea) e o fedegoso-gigante (Senna alata). Para as abelhas, destacam-se a uruçu boca de renda (Melipona seminigra), a abelha-borá (Tetragona clavipes) e a jataí (Tetragonisca angustula).


O estudo analisou interações entre polinizadores e espécies vegetais em diferentes estágios de recuperação ambiental na Floresta Nacional de Carajás, no Pará. A área também abriga um dos maiores projetos de extração mineral do mundo, com destaque para a mineração de minério de ferro e areia. A equipe de pesquisadores coletou visitantes florais de plantas – os polinizadores – no sub-bosque em áreas de restauração de minas de areia e de depósitos de resíduos de ferro, além de áreas de floresta primária para comparação. A amostragem foi realizada três vezes em cada local, entre abril de 2018 e outubro de 2019.


No total, os pesquisadores identificaram 118 espécies de plantas, 137 espécies de abelhas (1.090 indivíduos) e 51 espécies de vespas (170 indivíduos), mas observaram que apenas cinco espécies de abelhas e doze espécies de plantas respondiam por mais da metade das interações registradas. Na seleção final, consideraram as espécies com maior potencial de utilização nos estágios iniciais da restauração, priorizando os polinizadores mais generalistas, ou seja, que interagem com mais parceiros.


Segundo Rafael Cabral Borges, pesquisador do ITV e autor principal do estudo, o trabalho oferece uma nova abordagem para restauração de ecossistemas, que vai além do simples plantio de árvores. “Em geral, os projetos de restauração são muito focados em introduzir plantas em uma área específica. Mas integrar polinizadores — que apoiam a reprodução das plantas — é fundamental para garantir interações duradouras e a estabilidade de longo prazo dos ecossistemas restaurados”, avalia.


Além de considerar as redes de interação entre plantas e polinizadores, a escolha dos especialistas ponderou características das espécies que podem facilitar o processo de restauração, oferecendo uma base para tomadas de decisão e alocação de recursos. “Por exemplo, plantas que se reproduzem por sementes e abelhas que nidificam em cavidades simplificam o manejo”, cita Borges.


O pesquisador enfatiza, ainda, que o trabalho tem como objetivo fornecer subsídios para projetos de várias escalas. “Essa lista pode ser útil tanto para pequenos agricultores, que enfrentam déficits de polinização, quanto para grandes empreendimentos, como mineradoras, ajudando os tomadores de decisão a embasar suas ações em conhecimento científico”, finaliza Borges.




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