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Técnica de controle da Sigatoka-negra impulsiona a produção de banana na Amazônia

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 23 de fev.
  • 5 min de leitura

Foto: Siglia Souza

Técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle eficiente da Sigatoka-negra na Amazônia
Técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle eficiente da Sigatoka-negra na Amazônia

Produtores de banana nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia comemoram o aumento da produtividade de seus plantios. Desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), uma técnica simples e acessível de aplicação de fungicida permitiu o controle eficiente da principal doença da bananeira na Amazônia. Além de aumentar a produtividade, a solução promoveu o retorno de variedades tradicionais ao mercado, viabilizou a bananicultura na região e trouxe maior segurança para os agricultores.


Os dados fazem parte do Relatório de Avaliação de Impactos das Tecnologias geradas pela Embrapa nos últimos 15 anos nos três estados. O documento foi elaborado por três Unidades da Embrapa ( Acre , Amazônia Ocidental e Rondônia ) sob a responsabilidade dos pesquisadores Francisco de Assis Correa Silva , Lindomar de Jesus de Sousa Silva e Márcio Muniz Albano Bayma .


O texto “Recomendação de aplicação de fungicidas para o controle químico da Sigatoka-negra na produção de banana na Amazônia Ocidental” aponta os ganhos econômicos, sociais e ambientais da tecnologia. Ele conclui ainda que sua adoção foi um instrumento essencial para a continuidade do cultivo da banana tradicionalmente apreciado pelas comunidades amazônicas.


“Os impactos foram positivos, em sua maioria, evidenciando melhorias significativas na geração de renda, possibilitando o desenvolvimento da propriedade de forma sustentável, viabilizando uma produção capaz de contribuir para o desenvolvimento das unidades familiares de produção e garantir que a população tenha acesso a um importante fruto: a banana”, explica Lindomar Silva.

Expansão do mercado


Há uma perspectiva de aumento da área cultivada com a superação de problemas estruturais como a implantação de casas de embalagens e a adesão ao sistema de mitigação de risco da Sigatoka-negra. Com isso, os produtores rurais e suas entidades de classe poderão acessar novos mercados, atualmente restritos aos estados da Amazônia.


A tecnologia foi desenvolvida pela Unidade da Embrapa no Amazonas e validada nos estados do Acre e Rondônia pelos centros de pesquisa da Empresa nesses estados. Posteriormente, foram implantadas Unidades Demonstrativas para a capacitação para multiplicadores, distribuição de materiais informativos e palestras com o intuito de transferir a tecnologia. O aplicado foi gerado em 2001, disponibilizado aos agricultores em 2008 e sua adoção começou em 2009.

 

Como funciona a tecnologia 


A solução se baseia no uso de um equipamento e técnica para aplicação de fungicida na axila da segunda folha da bananeira. Para uso dessa técnica, foi elaborado um equipamento adaptado a partir de uma seringa veterinária, mangueira de silicone ou látex e um cano com uma das pontas curvadas. O equipamento permite colocar gotas de fungicida no local específico, com uma dose recomendada, dependendo do fungicida utilizado de um a dois mililitros por planta. Isso evita a dispersão do produto no ambiente e torna possível controlar a doença com apenas três aplicações por ciclo produtivo, que seriam em torno de dez a 12 meses.

Perdas de banana 


Com o surgimento da Sigatoka-negra houve uma redução substancial de cultivos de bananeiras com variedades tradicionais na Amazônia brasileira. Variedades como Prata Comum, Maçã e o plátano Pacovan, cultivadas há décadas pelos agricultores, deixaram de ser descobertas nos mercados e feiras locais. “Com a disponibilização da tecnologia de controle da Sigatoka-negra tem possibilitado o retorno das bananas tradicionais à mesa dos amazonenses, acreanos e rondonienses”, comenta o pesquisador.


Os métodos oficiais de levantamento da produção primária não consideram os grupos de banana (prata, maçã, D'Angola), sendo apresentados de forma agregada como produto único nas estatísticas. Assim, observe-se que os indicadores de desempenho produtivo da última década apontam uma retomada na oferta do produto nos três estados.


Produção e produtividade cresceram nos três estados 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE 2023), no período de 2013 a 2022, observou-se um incremento de produção e ganhos de produtividade no cultivo de banana nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia. Quanto à produção, no estado do Acre saltou de 77,7 mil para 82,8 mil toneladas no período referido. Também foi registrado um incremento de produtividade atingindo 12,4 toneladas por hectare (t/ha) (2022) ante 10,6 t/ha (2013).


No Amazonas, nos últimos dez anos, registrou-se um crescimento moderado na produção da banana passando de 84,7 mil, em 2013, para 88,7 mil toneladas, em 2022. Nesse período, o pico da produção foi em 2018 com 113,3 mil toneladas. A produtividade aumentou de 12,7 t/ha para 14,4 t/ha, no período referido.


Já no estado de Rondônia a produção passou por um crescimento gradativo na última década, passando de 70,6 mil para 81,9 mil toneladas. Os crescimentos de produtividade foram expressivos atingindo 11,6 t/ha em 2022, bem superior ao volume registrado em 2013 (8,5 t/ha). 


Logística para atender os mercados


Entre os estados estudados, o principal mercado consumidor é a cidade de Manaus (AM), cuja produção não é suficiente para atender a demanda local pelo produto. Por isso, foi construído ao longo dos anos um arranjo logístico eficiente envolvendo transporte rodoviário (Rio Branco/Porto Velho) e hidroviário (Porto Velho/Manaus) como forma de escoar uma parte da produção do Acre e de Rondônia para a capital amazonense. Esse arranjo, associado à adoção da tecnologia, tornou-se competitivo com os bananicultores dos municípios de Buritis e Porto Velho (RO) e Acrelândia (AC), no suficiente ao estado vizinho.


Para a agricultora Cristiana Gomes, do município de Presidente Figueiredo (AM), a tecnologia permitiu que ela continuasse plantando a banana Pacovan. “Com a técnica da Embrapa mudou todo o meu jeito de plantar. Antes, eu precisava plantar todo ano, por causa da doença, mas agora eu já estou a Pacovan [plantada] desde 2018 que continua dando cacho esmagador, cacho bonito”, relata a produtora. 


Como a banana Pacovan é uma variedade muito procurada pela população, a produção é destinada principalmente aos mercados tradicionais como feiras livres, supermercados, mercearias e sacolões das capitais dos estados (Manaus, Porto Velho e Rio Branco). Uma pequena quantia é destinada ao mercado institucional como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), comumente abastecidos por bananas oriundas de cultivares resistentes a doenças, principalmente a Thap Maeo.


A renda obtida com a comercialização da banana auxilia no desenvolvimento das propriedades. Os recursos são investidos no aumento dos plantios, com a recuperação de novas áreas, ou na diversificação produtiva. Há propriedades que iniciam cultivos de maracujá, melancia, açaí, mandioca, hortaliças, criação de peixes e em lavouras de outras variedades de banana como: Thap Maeo, a FHIA 18 e a Caipira.


A disponibilização de uma tecnologia capaz de incentivar o plantio de variedades tradicionais de banana, tem impactado positivamente nos aspectos culturais e econômicos do mundo rural e urbano da Amazônia Ocidental. No aspecto cultural, é o fato da tecnologia ter possibilitado à população o acesso a um produto tradicional, cujo consumo passou de pai para filho, e o econômico com a geração de renda e desenvolvimento das propriedades.



Maria José Tupinambá (MTb 114/AM)Embrapa Amazônia Ocidental

 








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