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Seca nas reservas de água doce do Brasil ameaça cultura e identidade de crianças de comunidades tradicionais

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura

Pesquisa revela a importância do convívio com os rios para a formação das

primeiras infâncias em Abaetetuba, no Pará   


Imagem: Print Youtube
Imagem: Print Youtube

São Paulo, 03 de abril de 2025 – Um levantamento alarmante do MapBiomas revelou que, em um ano, os rios, lagos e lagoas do Brasil encolheram 400 mil hectares, uma área equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Para as comunidades que dependem diretamente dessas fontes de água doce, como as quilombolas e ribeirinhas da Amazônia, a escassez de água não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também de preservação cultural. 


Esse cenário coloca em evidência a pesquisa "A importância do convívio com as águas para as crianças quilombolas do Pará", vencedora do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). O estudo, coordenado por Eliana Campos Pojo Toutonge, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), explora como os rios e cursos d'água são fundamentais na formação das crianças da comunidade quilombola do rio Tauerá-Açú, localizada em Abaetetuba, no Pará. 


Com uma abordagem etnográfica, a pesquisa traz reflexões sobre o impacto das águas na vida das crianças. A coexistência com os rios desde a primeira infância (0 a 6 anos) oferece alívio emocional - especialmente em situações adversas como calor extremo ou conflitos familiares - e são fundamentais para a formação da identidade quilombola bem como molda vivências e valores. 


"Nadar não é apenas uma habilidade essencial para a sobrevivência, mas um caminho para as relações sociais. As crianças brincam nos rios e vivenciam suas histórias. Além disso, se o rio seca, a criança não consegue ir para a escola, a mãe não leva o filho ao posto de saúde, e assim por diante. É uma relação totalmente intrínseca", explica Eliana Pojo. 


Apesar da riqueza cultural proporcionada pelo convívio com as águas, a comunidade quilombola de Tauerá-Açú enfrenta sérios desafios estruturais. A falta de creches e a precariedade dos serviços públicos entre outros aspectos. No município de Abaetetuba, apenas 24,9% das crianças estão matriculadas em creches, um índice abaixo da média nacional de 37,75% (2023). Além disso, das 128 escolas de educação infantil do município, apenas uma é específica para a etapa de Educação Infantil, mas não acolhe crianças quilombolas. 


Para Eliana Pojo, o estudo reforça, ainda, a necessidade urgente de políticas públicas que garantam a preservação da identidade cultural dessas comunidades, bem como do meio ambiente e dos rios, especialmente em um cenário de escassez crescente de água doce. 

"A agenda ambiental e educacional deve ser uma prioridade atrelada a políticas que visem o fortalecimento cultural dos quilombolas e demais grupos étnicos de comunidades tradicionais. Um exemplo de ação prática nesse sentido é a produção de cartilhas educativas com os saberes e a convivência das crianças com os rios, destinada a capacitação de profissionais em escolas quilombolas locais e vizinhas", explica. 


Promover a formação continuada de educadores sobre a relevância dos territórios quilombolas e das águas na identidade amazônica e incluir as questões étnico-raciais e a primeira infância quilombola nos fóruns municipais de educação, nas escolas e nas coordenações de Educação Infantil, também são sugestões de políticas públicas que endereçam o assunto. 


Criado em 2022, o Prêmio Ciência pela Primeira Infância visa reconhecer estudos que abordam a diversidade e pluralidade das experiências infantis no Brasil e sejam capazes de identificar e propor soluções para mitigar as disparidades enfrentadas por crianças de até 6 anos. 


Sobre o Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI)  


Criado em 2011, o NCPI é uma coalizão que produz e dissemina conteúdo científico sobre o desenvolvimento na primeira infância. Seu objetivo é sensibilizar, mobilizar e capacitar lideranças para fortalecer e qualificar programas e políticas públicas direcionadas ao enfrentamento das desigualdades que afetam crianças brasileiras de até 6 anos. O NCPI é composto, atualmente, por quatro organizações: Fundação Van Leer, David Rockefeller Center for Latin American Studies da Universidade de Harvard, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Insper. 

 

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