Pesquisa avançada no desenvolvimento de feijão mais eficiente em fixação biológica de nitrogênio
- Solano Ferreira
- 14 de fev.
- 3 min de leitura
Foto: Ana Lúcia Ferreira

Pesquisadores de Goiás e de Mato Grosso identificaram, dentro do programa de melhoramento de feijão da Embrapa, quatro linhagens de grão carioca que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de variedades mais eficientes quanto à Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Os cientistas chegaram a quatro fontes doadoras de genes para o índice de plantas.
A pesquisa selecionou as linhagens CNFC 15086, BRS Sublime, CNFC 15010 e CNFC 15003 para serem aproveitadas em cruzamentos com outras, portadoras de alta produtividade. As linhagens selecionadas apresentam altos índices de nodulação nas raízes, característica essencial para o FBN e indicativa de que a inoculação de sentimentos com microrganismos chamados rizóbios foi eficiente. Nesses nódulos ocorre a conversão do nitrogênio atmosférico em amônia, substância que será absorvida pela planta, promovendo o seu crescimento e podendo substituir parcial ou completamente a necessidade de fertilizantes químicos nitrogenados, o que contribui para a redução dos custos de produção e maior sustentabilidade da agricultura.
De acordo com o pesquisador Helton Pereira , da Embrapa Arroz e Feijão , o estudo envolve, ao todo, a avaliação de 19 linhagens de grãos carioca. Os trabalhos foram prolongados conforme os tratos recomendados para a cultura do feijão em cinco localidades: Anápolis e Santo Antônio de Goiás (GO); Tangará da Serra (MT); Ponta Grossa (PR); e Brasília (DF), durante dois anos, ao longo de três safras por ano (águas, seca e inverno).
Para cada ambiente, houve um experimento com aplicação de uréia (adubação nitrogenada), distribuída na semeadura e em cobertura; e outro com inoculação das sementes combinando dois produtos comerciais à base de Rhizobium freirei e R. tropici . “As quatro linhagens mais bem avaliadas irão passar agora a integrar os cruzamentos do programa de melhoramento do feijoeiro para grão carioca”, disse Pereira.

A pesquisa para a identificação e desenvolvimento de cultivares de feijão mais eficientes em fixação biológica de nitrogênio resulta de parceria entre a Embrapa, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano ( IF Goiano ), a Universidade Federal de Goiás ( UFG ) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural ( Empaer ).
Clique aqui e acesse o estudo na íntegra.
Seleção de estirpes impulsionando a pesquisa

Apesar da importância da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) como fonte de nitrogênio para as leguminosas nas lavouras, existem alguns trabalhos em programas de melhoramento genético do feijoeiro sobre o assunto. De acordo com o pesquisador da Embrapa Enderson Ferreira , que atua na área de Microbiologia do Solo, os ciclos de seleção de linhagens geralmente são feitos com o uso de fertilizantes nitrogenados formulados. Só mais recentemente, a partir de meados de 2008, houve uma intensificação de trabalhos específicos com foco exclusivo na FBN.
Os estudos para a avaliação de microrganismos, como os rizóbios, e seus efeitos na cultura do feijão no Brasil foram realizados na década de 1960. Muitos trabalhos, nesse início dos estudos, indicaram pequenas respostas à inoculação em condições de campo.
Ferreira afirma que grandes avanços, entretanto, estão sendo obtidos com a seleção e inoculação de novos estirpes de rizóbio geneticamente resultados e mais tolerantes a estresses ambientais, como altas temperaturas e acidez do solo. “Isso vem estimulando o programa de melhoramento genético do feijoeiro a dedicar mais esforços ao desenvolvimento de cultivares que possam ser melhor beneficiadas pela FBN”, avalia o pesquisador.
Impactos gerados pela adoção da FBN
A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é considerada uma das técnicas sustentáveis relacionadas à agricultura de baixo carbono. A tecnologia recorre a bactérias que retiram o nitrogênio da atmosfera e o disponibilizam para a planta. Não causa impacto negativo na qualidade do solo, da água e do ar, ao contrário dos fertilizantes convencionais, que podem, por exemplo, aumentar a pegada de carbono pela emissão de gases de efeito estufa.
Além disso, o impacto econômico da solução tecnológica é específico. Os adubos nitrogenados representam um percentual expressivo dos custos de produção, pois são produtos em sua maioria importados, cotados em dólares.
De acordo com o Balanço Social da Embrapa 2023, a adoção do FBN em empregos de soja gerou economia de cerca de 38 bilhões de reais nas mesmas de adubos nitrogenados em 2021. Tal economia chegou a 72 bilhões de reais em 2022, uma elevação de 89% em relação ao ano anterior. Isso ocorreu, principalmente, por conta do aumento do preço dos fertilizantes nitrogenados, resultado do contexto mundial de guerra entre países produtores desses insumos. Em 2023, o impacto retornou aos já expressivos patamares anteriores.
Rodrigo Peixoto (MTb 1.077/GO)
Embrapa Arroz e Feijão
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