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Muito além do shimeji: cogumelos comestíveis brasileiros têm potencial para serem comercializados, aponta estudo

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 25 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Foto: Mariana Drewinski / Acervo Pesquisadores

cogumelo
Cogumelo Auricularia fuscosuccinea cultivado pelos pesquisadores em laboratório

















Entre as mais de 2.000 espécies de cogumelos selvagens comestíveis na natureza pelo mundo, apenas 130 foram domesticadas pelos humanos. No Brasil, há registros de mais de 400 cogumelos comestíveis, sendo que cerca de 80 são bem conhecidos, com registros mais robustos. Em um artigo publicado nesta sexta (22) na revista “Anais da Academia Brasileira de Ciências”, um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) mostrou a viabilidade do cultivo e domesticação de duas espécies nativas, a Auricularia fuscosuccinea, chamada popularmente de orelha-de-macaco por sua textura gelatinosa, e a Laetiporus gilbertsonii, conhecida como frango-da-floresta também por conta de sua textura (no caso deste, apenas o micélio foi cultivado — o cogumelo propriamente dito ainda não foi obtido). Os pesquisadores descobriram ser possível introduzir as duas espécies no mercado para consumo.


A pesquisa foi feita entre 2018 e 2023, e os cientistas fizeram coletas das espécies dos cogumelos comestíveis em áreas de Mata Atlântica nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná. Em laboratório, foram avaliados critérios de crescimento micelial (desenvolvimento da colônia) sob diferentes condições ambientais e de substrato. As duas espécies se desenvolveram satisfatoriamente nas temperaturas em torno de 25°C, no caso do frango-da-floresta, e 30°C, no caso da orelha-de-macaco. “As espécies silvestres são mais adaptadas ao nosso clima, o que, também pensando na questão das mudanças climáticas, possibilita o cultivo de forma facilitada”, diz a bióloga Mariana Drewinski, cuja pesquisa de doutorado originou o artigo.


Os pesquisadores também analisaram a composição nutricional da A. fuscosuccinea e observaram que, apesar de os cogumelos não serem fontes principais de proteínas, a qualidade desses macronutrientes é boa, contribuindo para 10% a 12% da massa dos cogumelos, que ainda têm baixa concentração de lipídeos. “Sabemos que eles são comestíveis porque há registros na literatura acadêmica do consumo entre povos tradicionais, então nas análises de composição nutricional, vimos que ela está dentro do que se espera da média dos cogumelos”, afirma Drewinski.


No laboratório, os pesquisadores testaram diversas receitas com os cogumelos. “O estrogonofe com frango da floresta ficou muito bom, que também vai bem à milanesa. Refogado também é uma delícia”, conta a pesquisadora do IFungiLab, laboratório onde os estudos foram realizados. “Já do Auricularia eu gostei na salada. Depois de branqueado [cozido], dá para fazer um vinagrete com ele e misturar com folhas. Meu pai adora fazer omelete com ele, e, na China, usam espécies semelhantes para fazer sopas”, diz.


Drewinski e outros membros do laboratório estão trabalhando em estudos similares sobre outras espécies, além de mais análises sobre a Laetiporus gilbertsonii, que apresenta mais desafios para o cultivo. Com o avanço das pesquisas, a expectativa é montar linhas de produção das espécies para inseri-las no mercado. “Queremos mostrar aos produtores que existe a possibilidade de produzir novas espécies além das três que são mais populares no Brasil (champignon, shitake e shimeji)”, afirma a pesquisadora. Tamanha a importância ecológica desses cogumelos e seus parentes, há até um novo termo que os cientistas têm empregado para representar a diversidade de fungos: “funga” (tal qual “fauna” e “flora”), explica a autora. “Queremos valorizar nossa funga e as espécies das nossas matas.”


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