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Mudanças climáticas podem diminuir presença de cactos comestíveis na Caatinga, aponta estudo

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 24 de jul. de 2024
  • 2 min de leitura

Com o aumento das temperaturas no planeta e a mudança nos padrões de chuvas, duas espécies de cactos nativos da Caatinga podem sofrer perdas significativas nas próximas décadas. A distribuição da Tacinga inamoena, conhecida como quipá, pode ser reduzida em 65%, e da Tacinga palmadora, conhecida como palmatória, em 27%, segundo aponta estudo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos. Os dados estão em artigo científico publicado na segunda (22) na revista científica “Acta Botanica Brasilica”.

FOTO: GJOFILI / WIKIMEDIA COMMONS

caatinga
Tacinga inamoena, ou quipá, é uma das espécies de cactos da Caatinga ameaçada pelas mudanças do clima das próximas décadas

O estudo utilizou dados de registros de presença das duas espécies do gênero Tacinga disponíveis na base do Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade, variáveis climáticas da plataforma WorldClim e ferramentas que permitiram modelar a distribuição das espécies. Com as informações, os pesquisadores desenharam dois cenários de distribuição das espécies, um moderado e outro pessimista, centrados nos anos de 2050 e 2070.


As espécies analisadas pelo estudo têm partes comestíveis, que podem ser aproveitadas na alimentação humana e de animais domésticos e silvestres. “Os cactos têm valor cultural, econômico e ecológico para a população residente no semiárido brasileiro”, atenta Arnóbio de Mendonça Cavalcante, pesquisador do Inpe e um dos autores do estudo. A Caatinga é o terceiro maior centro de diversidade de cactos do planeta, segundo o especialista.


Para Cavalcante, a perda de espécies nos cenários climáticos previstos é preocupante. “Todas as espécies de cactos da Caatinga, cerca de 100, serão afetadas — umas mais outras menos. Porém projeta-se predominância de efeitos negativos, com contração das áreas climáticas adequadas, considerando também outros estudos similares publicados”, avalia. No senso comum, o aumento das temperaturas e da aridez parece favorável às espécies de cactos do semiárido brasileiro, mas os pesquisadores mostram que, na verdade, os cactos também podem ser vulneráveis ao calor e a falta de água. “A vida em terras secas é muito sensível”, diz o pesquisador.


As projeções da ciência climática sugerem que a Caatinga pode estar se tornando mais árida, devido às temperaturas mais elevadas e menos chuvas. Esse processo, conhecido como aridização, pode ser observado na tendência de aumento no número de dias secos consecutivos por ano na região. “O aquecimento global está acelerado e não oferece sinais para estabilização”, alerta Cavalcante. Por isso, conforme o estudioso, o trabalho científico pode impulsionar a criação e proteção de áreas de refúgio para espécies de cactos em perigo, bem como para outras espécies vegetais.


Pesquisas similares do grupo com outras espécies de cactos estão em andamento em vários países americanos, como México, Estados Unidos e Argentina, além de outras regiões do Brasil. Das cerca de 1850 espécies de cactos existentes no mundo, 500 foram estudadas sob a ótica das condições climáticas do futuro.


Cavalcante explica que os passos seguintes são aumentar o número de espécies estudadas e aprimorar as projeções futuras da sua distribuição. “Prever o futuro climático e suas consequências biológicas não é tarefa fácil”, afirma. “Ainda assim, é preciso conhecer as ameaças para abrir novas e criativas abordagens que ajudem a propor, com mais confiança, medidas para conservação dessas espécies”, completa.

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