Fogo e seca reduzem capacidade da Amazônia de armazenar carbono
- Solano Ferreira
- 17 de mar.
- 2 min de leitura
Pesquisa do IPAM indica que mortalidade de árvores e baixa umidade reduzem o carbono retirado pela floresta da atmosfera e armazenado no solo
Florestas frequentemente atingidas por fogo e seca perdem sua capacidade de retirar carbono da atmosfera e armazená-lo no solo, é o que mostra novo estudo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), publicado hoje (10/03) na revista científica “Forest Ecology and Management”. A pesquisa é uma das primeiras a investigar a relação entre queimadas e o solo na Amazônia.
c
“Essas florestas atingidas por fogo e seca vão se tornando cada vez mais degradadas ao longo do tempo, principalmente devido à redução do intervalo de tempo entre esses eventos extremos, impedindo que elas se recuperem. Isso significa que elas vão perdendo sua capacidade de estocar carbono no solo, e passam a usar suas reservas de energia para conseguir suportar esses eventos extremos e sobreviver. Como consequência, a floresta reduz sua capacidade de retirar carbono da atmosfera, agravando a emergência climática, além de ameaçar a capacidade da floresta de se manter viva”, detalha Maracahipes-Santos.
O pesquisador destaca que a troca de carbono entre o solo e a atmosfera foi 18,7% menor na floresta estudada atingida pelo fogo. Isso ocorreu porque o fogo aumentou a mortalidade das árvores e raízes que, em conjunto com o estresse causado pela seca, reduziu o processo de fotossíntese — responsável por capturar o carbono do ar e transformá-lo em energia para a planta.
A redução da capacidade de produção de energia obriga a floresta a usar reservas de energia antigas, tornando-a mais vulnerável a eventos extremos futuros, que podem se tornar mais frequentes conforme o aumento da temperatura média global.
Estratégia da Pesquisa
Os pesquisadores analisaram duas partes da floresta amazônica: uma frequentemente atingida pelo fogo experimental e outra preservada (controle). Ambas passaram por dois episódios de seca extrema durante o estudo.
Foram coletados uma série de dados, entre eles o crescimento de raízes, a troca de carbono entre o ar e o solo, além da idade do carbono das reservas de energia usadas pelas árvores.

O exame da troca de carbono foi feito por registros mensais com EGM-4, equipamento que mede a circulação do ar entre o solo e a atmosfera.
O crescimento das raízes finas foi analisado por meio de instalação de canos com telas, no solo, retirados a cada três meses, permitindo medir o crescimento das raízes finas. O crescimento desse tipo de raiz é um processo essencial para a vida das árvores, que precisam renová-las periodicamente para garantir as trocas gasosas e de nutrientes entre solo e planta.
Já a análise do uso de reservas de energia das árvores foi feita por meio da datação do carbono presente nas moléculas de açúcares e amidos das plantas, substâncias que fornecem energia e permitem o crescimento de raízes. A idade do carbono presente nessas moléculas foi medida para identificar o uso de reservas de energia mais antigas, o que indica a diminuição da capacidade das árvores de produzir novas moléculas de energia.
Comments