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Feijão guandu adaptado ao Semiárido pode reduzir custos de alimentação dos rebanhos

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 24 de fev.
  • 4 min de leitura

Foto: Fernando Guedes

Testes comparativos com várias cultivares mostraram que o Super N apresentou melhor produtividade e boa adaptação climática.
Testes comparativos com várias cultivares mostraram que o Super N apresentou melhor produtividade e boa adaptação climática.

Uma cultivar de feijão guandu adaptada às condições do Semiárido brasileiro, que proporciona aos produtores maior economia com a alimentação dos rebanhos de caprinos, ovinos e até bovinos. Com esse objetivo, os pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) trabalharam durante três anos na avaliação das cultivares do guandu, já disponíveis no mercado, para selecionar a mais adequada para a região. A pesquisa apontou a cultivar comercial Super N como a mais indicada para o Semiárido, com produtividade média de matéria seca de forragem acima de 6,2 mil quilos por hectare (kg/ha). 


A pesquisa foi realizada em áreas experimentais de parceiros da Embrapa em três locais diferentes: Sobral (CE), Boa Viagem (CE) e Sumé (PB). Os três apresentam clima semiárido quente, com período chuvoso de fevereiro a junho, com pluviosidade média variando entre 400 e 800 mm. Foram estudados quatro cultivares comerciais (já disponíveis no mercado) e 17 genótipos experimentais elites (materiais com potencial para se tornarem cultivares comerciais). Os pesquisadores avaliaram três características principais: dias de florescimento, altura da planta e estimativa da produtividade de grãos. O intuito foi identificar os genótipos mais resultados frente às mudanças do ambiente. 


Os 21 genótipos (quatro comerciais e 17 experimentais de elite) tiveram produtividade média de matéria seca de forragem entre 4,6 mil e 9 mil kg/ha. Em outras pesquisas, a cultivar de guandu Taipeiro, com possibilidade de uso no Semiárido, produziu 2,49 mil kg/ha. Assim, os genótipos estudados pelos pesquisadores da Embrapa superaram em mais de 2 mil kg/ha a produtividade do guandu Taipeiro.


Todas as quatro cultivares comerciais avaliadas tiveram produtividade média de matéria seca acima de 5 mil kg por hectare. Mas, como melhor se adaptaram às condições ambientais do Semiárido foram as cultivares Super N e Iapar 43. Ambas com produtividade média de matéria seca acima de 5,7 mil kg/ha, além de maior produtividade de grãos. Nesse aspecto, o Super N é 16% mais produtivo que o Iapar 43.


Uma pesquisa realizada pela Embrapa Caprinos e Ovinos (CE) contou com a parceria da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), dos campi de Boa Viagem e de Crateús do Instituto Federal do Ceará ( IFCE ) e do campus de Sumé (PB) da Universidade Federal de Campina Grande ( UFCG ). 

Foto: Fernando Guedes
Foto: Fernando Guedes

Melhoramento do Guandu tem cerca de cinco décadas


De acordo com o pesquisador da Embrapa que liderou o trabalho, Fernando Guedes , o melhoramento genético do feijão guandu teve início ainda na década de 1970 pelo Instituto Agronômico de Campina ( IAC ), Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Pecuária Sudeste (SP) e Embrapa Semiárido (PE), além de algumas empresas privadas, que incluíram plantas para fornecimento de grãos, forragem e adubo verde. No entanto, as condições ambientais dessas regiões são diferentes das descobertas no Semiárido brasileiro. 


“No Sudeste, o guandu começou a ser usado para rotação de culturas, tanto com o amendoim quanto com a cana-de-açúcar. Ele entrou na entressafra para melhorar o solo, em áreas para produção de grãos para consumo humano. O guandu também está muito presente nas quintas das residências por sua característica quase perene, produzida por até quatro anos, sem necessidade de replantio”, conta Guedes. 


O professor da UFCG Ranoel Gonçalves acompanhou o trabalho do experimento em Sumé, na Paraíba. Ele considera importante para o produtor de caprinos e ovinos a recomendação de uma cultivar de feijão guandu adaptada às condições do Semiárido. “Algumas cultivares foram desenvolvidas para outras regiões e, com esse programa de pesquisa, teremos genótipos de fato adaptados porque as etapas do melhoramento genético foram realizadas na região foco. Ao final do programa, transmitimos várias cultivares de feijão guandu que atendem às necessidades reais dos produtores de caprinos e ovinos do Semiárido”, anuncia. 


Gonçalves ressalta que a região de Sumé concentra um dos maiores rebanhos de caprinos leiteiros do Brasil, com a presença de diversos laticínios, e a parceria com a Embrapa para desenvolver os experimentos, possibilita a aproximação com esses produtores de leite e a avaliação da acessibilidade das cultivares por eles. 


Guedes explica que, a partir deste ano, uma pesquisa deve atuar na validação em propriedades maiores. Após essa etapa, serão realizados dias de campo para produtores específicos e divulgadas formas de aquisição de sementes. Posteriormente, o programa de melhoramento genético pretende lançar cultivares de guandu que superem a cultivar que está sendo recomendada. 


Feijão guandu: nutritivo e versátil

Foto: Fernando Guedes
Foto: Fernando Guedes

O feijão guandu, também conhecido como andu, é uma leguminosa nativa da África que se adaptou bem ao solo e clima brasileiros. A planta é cultivada em diversas regiões do Brasil, com destaque para os estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia e Piauí. 


Pode ser usado tanto para consumo humano quanto na alimentação de rebanhos de caprinos, ovinos, bovinos e aves, fornecendo proteína e energia aos animais. A planta inteira também pode servir de forragem para o gado.  


O guandu é um arbusto que pode atingir até 4 metros de altura, com raízes profundas e ramificadas que fixam nitrogênio no solo, enriquecendo-o para outros cultivos. Seus grãos são ricos em proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Na alimentação dos ruminantes, incrementa a qualidade proteica, que geralmente é suprida com o uso de farelos de soja e milho, que possuem custo mais elevado. 


“Com o guandu, você tem uma forrageira leguminosa que ajuda a diminuir os custos de concentrado. E você equilibraria a alimentação dos animais com teor nutritivo mais elevado, principalmente proteína, tanto folhas, quanto grãos”, explica Fernando Guedes. Ele ressalta que as folhas são o principal produto para essa alimentação, junto com os grãos. Os galhos e a casca da vagem são secundários. “O galho é muito lento. A casca é a preferida, mas fornece apenas fibra”, relata.


Ele afirma ainda que o guandu pode ser inserido na alimentação dos animais como o feno. Mas, nesse caso, é preciso cortar e colocar um dia e meio no sol. Para oferecer como silagem, o feijão guandu precisa ser misturado com outras culturas anuais para conseguir um equilíbrio, uma vez que é uma leguminosa que possui alto índice de proteína. 



Adriana Brandão (MTb 01067/CE) - Embrapa Caprinos e Ovinos





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