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Brasil deve aumentar a produção de energia na Usina Hidrelétrica (UHE) de Jirau para atender a Bolívia em troca de fertilizantes

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 1 de fev. de 2024
  • 4 min de leitura

A contrapartida da Bolívia será o fornecimento de fertilizantes e insumos para a agricultura e pecuária brasileira em troca do envio de energia.


O acordo pode favorecer no futuro, a construção de uma terceira usina hidrelétrica no rio Madeira, sendo binacional.


Foto: Divulgação UHE Jirau

energia para a Bolívia
Usina Hidrelétrica de Jirau terá capacidade elevada para exportar energia para a Bolívia em troca de insumos para a agricultura

O Brasil precisa elevar a sua oferta de energias limpas e uma das formas é a ampliação de sistemas hidrelétricos, gerando energia com a força da água em substituição às usinas termelétricas, alimentadas por combustíveis à base de petróleo. O plano de construir uma terceira UHE no rio Madeira, em Rondônia, ainda não saiu do papel por causa de alguns entraves de impactos, inclusive com a Bolívia que faz fronteira no local indicado para o empreendimento, a cachoeira de Ribeirão. Além dos vizinhos bolivianos, o complexo de Ribeirão afetaria comunidades indígenas e populações tradicionais no lado brasileiro, e tudo isso precisa de compensação.  

 

Pelo que apurou o Blog Mundo e Meio, o acordo com a Bolívia parece avançar e o início é uma parceria binacional imediata. Pelo menos é o que indica os resultados de um encontro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos e Energia, Franklin Molina, realizado no último dia 30 de janeiro de 2024, onde um dos assuntos tratados foi o possível aumento da capacidade de geração de energia na UHE de Jirau, a 170 quilômetros de Porto Velho (RO), e próximo da fronteira entre os dois países.

 

Foto: Divulgação MME

acordo brasil bolívia
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos e Energia, Franklin Molina, durante assinatura de acordo bilateral Brasil e Bolívia por energia e fertilizantes

Essa proposta seria uma antecipação de benefício para o país vizinho que terá que emitir liberação para que a UHE de Ribeirão seja construída, sendo que causará impactos, e terá a produção binacional. A gigantesca obra pode levar cerca de uma década para ficar pronta, e, até lá, a Bolívia já teria energia limpa e de qualidade para seus projetos de desenvolvimento econômico.  De outro lado, o Brasil também seria beneficiado com a importação de insumos e fertilizantes para a agricultura.

 

Trata-se de negócio bom para todos os lados. O ministro brasileiro destacou que, aumentar a produção da hidrelétrica é importante para a modicidade tarifária no Brasil, além de poder exportar o excedente gerado pela usina para o país vizinho. Alexandre Silveira ainda declarou que os sistemas isolados da Bolívia poderão ser conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para auxiliar no processo de descarbonização, além de permitir a venda de energia.


“Queremos avançar nas negociações das regras da operação da usina de Jirau, aumentando a sua produção. Além disso, vamos contribuir com a descarbonização dos sistemas isolados do país vizinho, ampliando ainda mais a parceria com os países da América do Sul, assim como já acontece com a Argentina, Uruguai e Paraguai, por exemplo”, afirmou Alexandre Silveira, conforme divulgado por sua assessoria.


Acordo binacional assinado

O acordo entre os dois países deve formalizar negócios em outros segmentos econômicos, beneficiando diretamente a produção alimentar. Na mesma reunião, os ministros do Brasil e da Bolívia assinaram acordo bilateral para o amplo desenvolvimento e a inovação da indústria e do comércio de insumos para a agricultura e para a pecuária.


O agro é forte nos dois lados da fronteira e o acordo prevê ampliar o comércio de fertilizantes e insumos para a nutrição de plantas, produtos agrícolas pecuários e agroindustriais entre Brasil e Bolívia. Isso deve criar novos marcos de comércio internacional entre as partes. Além de beneficiar a competitividade regional, o acordo estará gerando a desburocratização do comércio agrícola, pecuário e agroindustrial, o que vai favorecer as exportações e importações.


Outro benefício apontado no documento é promover a atração de investimentos para a construção e operação de duas plantas de fertilizantes nitrogenados localizadas em Cuiabá (MT), em Puerto Quijarro (Santa Cruz) e Santivañez (Cochabamba), viabilizando cooperação em projetos estratégicos nos setores da indústria, comércio e inovação agropecuária nos territórios envolvidos.


Fertilizantes interessam ao Brasil

Com a expansão da produção agrícola de grande escala, o Brasil necessita de muitos fertilizantes, e importar da Bolívia que está ao lado torna-se um excelente negócio, considerando a redução de custos com frente. As regiões brasileiras Oeste e Centro-Oeste e que são grandes produtores de grãos seriam beneficiadas diretamente com o negócio.


Pensando nisso, o acordo envolve também o auxílio do Brasil na elaboração do Plano Nacional de Fertilizantes, com a formação de técnicos em correção e fertilidade de solos; realização de seminários, leis e normas de fertilizantes e insumos para a nutrição de plantas; formação de técnicos em vistoria e fiscalização da qualidade de fertilizantes e insumos para nutrição de plantas, entre outras atividades.


Conforme divulgado pela assessoria do Ministério de Minas e Energia, o documento também prevê a cooperação para aumentar o conhecimento geológico e a exploração mineral de fosfatos, boratos e potássio em território boliviano. Nessa pauta, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) irão fazer uma missão técnica no país para conhecimento sobre as áreas de ocorrência destes recursos.


Como o negócio é amplo e de interesse interssetorial, o documento foi assinado pelo Ministério de Minas e Enegia (MME), e pelos ministérios de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Agricultura e Pecuária (MAPA). O ministro de Desenvolvimento Rural e Terras da Bolívia, Remmy Ruben Gonzales Atlila, e o embaixador nomeado do Estado Plurinacional da Bolívia no Brasil, Horacio Villergas Pardo, também participaram da cerimônia.

 

Por Solano Ferreira | Mundo e Meio

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