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Aplicação de zinco em hortaliça pode ser alternativa para combater ‘fome oculta’ na Amazônia

  • Foto do escritor: Solano Ferreira
    Solano Ferreira
  • 17 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura

FOTO: BEATRIZ COSTA DE OLIVEIRA QUEIROZ DE SOUZA / ACERVO PESQUISADORA

zinco
Experimento aplicou seis tratamentos com diferentes concentrações de zinco no solo de 36 amostras de cariru


Cerca de um terço da população mundial sofre com deficiência de zinco, segundo a Organização Mundial de Saúde. Como alternativa para comunidades tradicionais e rurais da Amazônia que não têm acesso à suplementação do mineral, um experimento da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) foi capaz de aumentar em 40 vezes a concentração de zinco nas folhas da planta cariru (Talinum triangulare), hortaliça comumente consumida na região. Os resultados estão descritos em artigo publicado na sexta (7) na revista científica “Rodriguésia”.


A deficiência de zinco pode causar problemas no desenvolvimento cerebral, gerar menor desempenho e produtividade em atividades físicas e aumentar a suscetibilidade a doenças como pneumonia e diarreia. As recomendações diárias de seu consumo são de 11 miligramas para homens, 8 mg para mulheres e 5 mg para crianças. Por ter relação com a produção do hormônio do crescimento, a falta do mineral afeta o crescimento infantil. “É o que nós chamamos de fome oculta, porque mesmo quando as pessoas estão se alimentando, elas não estão consumindo as quantidades suficientes de nutrientes necessários para a sua saúde, através de produtos com melhor qualidade nutricional”, explica Beatriz Costa de Oliveira Queiroz de Souza, atualmente doutoranda em Fisiologia Vegetal na Universidade Federal de Lavras (Ufla) e autora do artigo.


O experimento aplicou seis tratamentos com concentrações diferentes de sulfato de zinco heptahidratado no solo de 36 amostras de cariru. Os grupos foram divididos pela dosagem, que seguiu 12,5 miligramas de zinco para um quilo de solo (mg kg-1); 25 mg kg-1; 50 mg kg-1; 100 mg kg-1; 400 mg kg-1 e um tratamento de controle que não recebeu uma dosagem de zinco extra. Entre outros parâmetros de qualidade, o estudo analisou principalmente os níveis do mineral nas folhas de cariru e no solo, proteínas e açúcares solúveis totais.


As plantas submetidas a uma dose de 100 mg kg-1 de zinco apresentaram os melhores resultados de crescimento, proporcionando um aumento de 4081% nos teores de zinco foliares, bem como um aumento de 130% na massa seca das folhas. Além disso, também foi observado um aumento de 1904% de zinco no solo. Para Souza, o resultado mostra que a biofortificação também pode ser usada para a nutrição do solo e da flora ao redor da produção. “Geralmente, os solos amazônicos e brasileiros são pobres em zinco, um mineral que também é importante para o desenvolvimento da planta, tanto que também notamos aumento no número e massa das folhas”.


Por outro lado, o tratamento com 400 mg kg-1 de zinco se mostrou tóxico a um nível letal para as plantas. “Doses muito elevadas de qualquer nutriente podem causar sintomas de toxicidade. O que difere o remédio do veneno é a dose”, explica Souza. A pesquisadora comenta que a dose de 25 mg kg-1 já foi suficiente para incrementar concentrações de zinco nas folhas de cariru em cerca de 3346% em relação ao controle, o que indica que aplicar menores quantidades já traz benefícios.


Por fim, o trabalho aponta que é importante que as populações tenham acesso a diferentes alimentos ricos em zinco para o combate à carência desse mineral. Isso porque, segundo a pesquisadora, para que uma pessoa consuma a quantidade diária recomendada, seria necessário comer mais de 200 gramas de cariru biofortificado por dia. “Mas o brasileiro consome, em média, 49 gramas de hortaliças por dia. Por isso, ele seria um ótimo suplemento para o combate à desnutrição, mas não deve ser a única fonte do mineral na alimentação, que deve ser complementada com outros vegetais e carnes ricos em zinco”, finaliza.



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